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Sustentabilidade: que impacto tem a sua organização?

“As empresas que não assumirem a sustentabilidade no seu ‘core business’ não vão existir em 2030”. A frase é do brasileiro Roberto Pires Ferreira, publicitário e especialista [1] em Sustentabilidade e Responsabilidade Social Corporativa, e talvez explique porque nos últimos anos temos visto tantas empresas a colocarem a sustentabilidade no centro das suas estratégias.

O ‘The Deloitte Millennial Survey’ [2] de 2019 veio mostrar que o lucro como forma de medir o sucesso de uma companhia é uma noção completamente rejeitada por 92% das pessoas da geração Millennial e por 70% dos líderes de empresas. Além disso, já é possível demonstrar que quando o propósito de uma organização tem benefícios diretos para a sociedade e para o planeta, os lucros do negócio tendem a acompanhar. As empresas listadas em índices de sustentabilidade empresarial têm uma rentabilidade média 25% superior às empresas que não estão nestes índices.

Importa ainda referir que as estratégias de sustentabilidade das organizações podem também ter impacto na atração e retenção de talento. Se tem Millennials na sua organização, é importante que saiba que o propósito é um dos fatores de retenção e atração mais importantes para esta geração [3]Com expetativas, valores e abordagens em relação ao trabalho completamente diferentes das gerações anteriores, a ‘geração do Milénio’ exige políticas de sustentabilidade às empresas para as quais trabalha.

Neste artigo, partilhamos consigo alguns exemplos de organizações que estão a conseguir transformar o mundo de uma forma positiva [4], atraindo e retendo, assim, os melhores talentos, e ao mesmo tempo, gerando lucro.

LEGO

Em 2014, um vídeo da Greenpeace tornou-se viral [5]. Nesta campanha, a organização ambientalista pedia à LEGO que colocasse um ponto final na sua parceria com a petrolífera Shell.

A empresa de brinquedos dinamarquesa tomou na altura a decisão de transformar o seu negócio e hoje é uma das organizações que mais investe em ações de responsabilidade social corporativa. Sim, é fácil questionar as intenções da empresa quando todos sabemos que ganha milhões com a venda de blocos de plástico, contudo, em 2018 a LEGO lançou a sua primeira gama de blocos fabricados com materiais à base de plantas. A meta passa por tornar todos os brinquedos LEGO sustentáveis até 2030 e atingir o desperdício zero até 2025. Atualmente, 93% dos brinquedos da LEGO já são recicláveis ou reutilizáveis.

Além disso, a empresa está focada em criar uma cadeia de abastecimento responsável, protegendo os direitos de todas as pessoas envolvidas no seu negócio, direta e indiretamente.

Microsoft

Frequentemente acusada de perpetuar problemas de inclusão e de estar atrás de muitas indústrias ao nível da paridade, a indústria tecnológica é uma das mais criticadas. A Microsoft, em particular, já fez notícia diversas vezes devido à sua “cultura tóxica”, [6] mas há vários anos que aposta em retribuir à sociedade.

A empresa norte-americana investe milhões de dólares todos os anos em programas de formação tecnológica para jovens em 41 países. 50% dos participantes são mulheres e 80% são pessoas em situação de vulnerabilidade económica e social.

Patagonia

A Patagonia, marca de vestuário Outdoor cuja principal missão é criar produtos que não causem danos desnecessários ao planeta [7] e que inspirem outras empresas a criar soluções ambientalmente e socialmente responsáveis, já provou diversas vezes que é possível ser social e ambientalmente sustentável e ao mesmo tempo gerar lucros.

Em 2011, a empresa esteve na boca do mundo quando publicou no The New York Times um anúncio em que incentivava os consumidores a não comprar o casaco que surgia na imagem [8], uma forma de consciencializar os consumidores para a importância de compras conscientes e para a cultura de consumismo perpetuada pela Black Friday. Nos dois anos seguintes, as vendas da Patagonia cresceram quase 40%.

E a sua empresa, o que está a fazer para ser mais sustentável?

Artigo publicado em parceria com o blog RH Bizz [9].