Tecnologia

“As pessoas merecem ser escutadas e vistas com qualidade”

O mercado dos headsets tem estado em crescimento nos últimos anos e deverá continuar a crescer, com a flexibilização do local de trabalho. Uma das empresas do setor é a Poly, que nasceu em 2019 fruto da fusão entre a Platronics (empresa com mais de 60 anos e líder no segmento dos headsets para B2B) e a Polycom (empresa com 32 anos e referência no setor do áudio e vídeo para colaboração). Luís Dias, Country Manager da Poly, explica a importância de soluções de áudio e vídeo adaptadas à flexibilização do local de trabalho na comunicação entre colaboradores e entre empresas e clientes.

Durante o terceiro trimestre de 2021, registaram mundialmente 410 milhões de dólares em vendas. Como é que a atividade em Portugal contribuiu para esse valor?

Para a Poly, o último semestre do ano passado, também foi excelente e esse valor é fruto do investimento das empresas em tecnologia, ao adaptarem-se ao conceito flexible working que veio para ficar.

As empresas estão a redesenhar os seus espaços tornando o escritório num ambiente mais agradável para as pessoas trabalharem e tornarem-se mais felizes no posto de trabalho, tendo menos densidade nos espaços de Open Space devido á flexibilidade de horários, aumentando também os espaços de colaboração, sendo focus room, e ou, salas de reunião mais pequenas. Posto isto, existiu um investimento muito grande por parte das empresas e assim continuará.

“Já estamos a regularizar as entregas semanalmente”

De que maneira a Poly tem procurado superar os problemas da cadeia de abastecimento, nomeadamente a falta de semicondutores e problemas no transporte, que tem enfrentado?

Desde que iniciou a pandemia, todas as empresas tecnológicas têm sofrido atrasos na produção que se faz repercutir na entrega aos clientes finais. Felizmente, a Poly tem fábricas próprias no México, mais precisamente, em Tijuana e sempre conseguimos trabalhar em antecipação visto estarmos ali bem próximo da crise. Temos tido alguns atrasos, mas muito segmentados e por fases. Tivemos uma fase com falta de chips para os headsets bluetooth. No último semestre de 2021 tivemos mais problemas em componentes para o vídeo o que nos atrasou a produção.

Como temos instalações espalhadas pelo mundo, em casos mais críticos, através de um intercâmbio entre os vários países tentamos encontrar a solução mais célere, satisfazendo as necessidades imediatas dos nossos clientes. Além disso, contamos sempre com stock nos nossos distribuidores locais, mas neste momento já estamos a regularizar as entregas semanalmente.

 “Ambicionamos criar uma estrutura local em Portugal com um espaço de showroom e demo center”

Que objetivos pretendem alcançar este ano?

A Poly, em Portugal, pretende seguir o seu caminho tal como o tem feito até à data: crescer ano após ano e servir  os seus clientes com um nível de excelência através de um acompanhamento muito próximo. Gostamos muito de “caminhar de mãos dadas com os nossos clientes”, e assim conseguimos crescer juntos!

Como objetivo físico para este ano, ambicionamos criar uma estrutura local em Portugal com um espaço de showroom e demo center para os nossos clientes.

Vários estudos de mercado antecipam um crescimento do setor dos headsets para os próximos anos. Como a Poly ambiciona estar na linha da frente deste boom?

O crescimento já vem desde há cerca de um ano e meio e como bem diz, irá continuar. Com a pandemia, o número de chamadas aumentou. Fruto desse fator, o número de agentes cresceu e principalmente os outsourcers abriram e continuam a abrir novas localizações, bem como algumas empresas desenvolveram o seu próprio customer service para poderem estar mais próximos dos seus clientes.

“Temos tido crescimentos de 50% e isso deve-se às novas formas de trabalhar”

Fora do ambiente de contact center, a covid-19 foi um impulsionador para as alterações na forma de trabalhar, acelerando a transformação digital e reformando o mundo do trabalho. Felizmente as empresas já perceberam que o conceito do trabalho flexível veio para ficar e os consumidores necessitam de soluções que se adaptem a qualquer lugar e a qualquer cenário, que lhes permitam comunicar de qualquer parte.

Nos últimos tempos, na Poly, temos tido crescimentos de 50% e isso deve-se às novas formas de trabalhar e onde “qualquer coisa” já não serve! As empresas estão a dotar os seus trabalhadores com dispositivos profissionais no áudio e vídeo e é aqui onde entra a Poly com a adoção cada vez maior de novas ferramentas de colaboração que necessitam deste tipo de equipamentos.

A equidade é uma preocupação para as empresas que têm de proporcionar a mesma experiência de utilização, para quem está no escritório ou em remoto, e isso só se consegue com equipamentos profissionais no áudio e vídeo, e aí a Poly está na linha da frente com as suas soluções.

Com o novo conceito de trabalhar, onde o vídeo e a flexibilidade de horários “são os vencedores deste ano” em relação ao local de trabalho, como é que a Poly pode ajudar a melhorar a forma de colaborar?

Já há alguns anos a esta parte tínhamos este lema: “o trabalho já não é num lugar em concreto, mas sim, onde quisermos e a que horas quisermos”. Com a pandemia uma coisa é certa, o modelo de trabalho tradicional das 9h às 18h no escritório definitivamente acabou e o trabalho flexível veio para ficar.

“A falta destas tecnologias não afeta somente a capacidade de o colaborador em poder concentrar-se, mas também a comunicação tanto em chamada bem como em videoconferência”.

A Poly foi pioneira a impulsionar o trabalho de qualquer lugar, de resolver o dilema da distração em espaços abertos e de transformar salas pequenas em tão poderosas como as salas de reuniões tradicionais. A covid veio impulsionar o smarter working nas novas formas de trabalhar e acelerou a transformação digital o que veio alterar o mundo laboral, bem como as necessidades no posto de trabalho onde os colaboradores necessitam de soluções que se adaptem a qualquer cenário e que lhes permita comunicar desde qualquer lugar.

A imagem que as empresas passam para o exterior não é somente a que se vê, mas também a que se ouve e o negócio das empresas passam pela comunicação.

Por exemplo, quer te encontres em casa, no escritório ou numa esplanada, é recomendável a utilização de headsets com cancelamento de ruído ambiente nos microfones, bem como a função de ANC (active noise canceling), que faz com que utilizador esteja imersivo e focado exclusivamente na conversa. A falta destas tecnologias não afeta somente a capacidade de o colaborador em poder concentrar-se, mas também a comunicação tanto em chamada bem como em videoconferência.

“O escritório continuará a desempenhar um papel fundamental como local de coesão, interação e colaboração”

Esta é a vocação da Poly, oferecer todas as ferramentas necessárias para que as pessoas possam trabalhar, independentemente de onde se encontram com as mesmas condições.

Eu costumo dar o meu exemplo, não tenho escritórios em Portugal e trabalho de qualquer lado, e sou um exemplo de colaboração constante onde quer que me encontre.  Felizmente que uso os devices da Poly nunca esquecendo o equilíbrio do meu lifestyle, entre o trabalho e o lazer.

O escritório continua a ser o hub de colaboração fundamental?

Um estudo recente da Poly na região EMEA revelou que 80% dos entrevistados preferem trabalhar no seu local preferido pelo menos uma a duas vezes por semana, enquanto 54% preferiam dividir o seu tempo de trabalho igualmente entre o escritório e o trabalho remoto.

Isto confirma que o escritório continuará a desempenhar um papel fundamental como local de coesão, interação e colaboração. Como o escritório oferece maior potencial para a socialização, brainstorming e cooperação com os colegas facilitando as reuniões presenciais, ou conectando colegas em trabalho remoto por meio de tecnologias avançadas de videoconferência, os espaços de trabalho continuaram a ser o local mais apropriado para algumas tarefas.

“Os locais de trabalho do futuro provavelmente serão ecossistemas com áreas e salas que se ajustem aos hábitos de trabalho e necessidades de diferentes estilos de trabalho”

Que benefícios oferece o novo conceito do posto de trabalho, em que a arquitetura, o design e os equipamentos tecnológicos desses espaços de trabalho podem acomodar melhor os requisitos do trabalhador flexível?

As empresas estão a reinventar e a redesenhar os espaços e, tal como referi anteriormente, a investir em tecnologia de forma a manterem uma experiência de igualdade, entre os que trabalham no escritório e os que trabalham em casa. A ideia é que a distância seja encurtada parecendo que estamos todos em modo presencial e é essa a igualdade que pretendemos, estando as pessoas no escritório ou a trabalhar em outro lugar, a comunicação e a interação têm de fluir como se estivéssemos todos na mesma sala em modo presencial.

Os locais de trabalho do futuro provavelmente serão ecossistemas com áreas e salas que se ajustem aos hábitos de trabalho e necessidades de diferentes estilos de trabalho. Atualmente, o colaborador pretende ter a mesma experiência e a mesma facilidade de uso nas suas comunicações, estando em casa ou no escritório. Com a massificação das soluções na cloud como o Teams ou o Zoom, os colaboradores não pretendem nada complexo, bem como o IT que opta por soluções simples de gestão remota e user friendly para todos.

Isso trará mudanças significativas também em termos de investimento em soluções tecnológicas colaborativas, como câmaras com AI de HD para videoconferências e headsets de supressão de ruído ambiente com o objetivo de melhorar a experiência de trabalho que está no centro dessa transformação.

 “O nosso compromisso é conectar pessoas, melhorar e impulsionar a interação entre elas”

Com esta transformação digital tão abrupta, qual é o papel dos colaboradores?

A tecnologia é muito importante, mas para a Poly o mais importante são as pessoas. Se repararmos, 100% dos trabalhadores são pessoas, 100% dos clientes são pessoas, todos somos pessoas e enquanto as empresas não perceberem isso e não atribuírem ferramentas profissionais às pessoas, tudo isso se reflete na produtividade das empresas, que procuram soluções que permitam gerar cada vez mais colaboração e criatividade à distância, e que ajudem a organizar chamadas ou videocalls, com uma qualidade superior sendo capazes de gerar interações mais frutíferas.

O nosso compromisso é conectar pessoas, melhorar e impulsionar a interação entre elas e isso temos conseguido num momento em que a distância social faz com seja mais necessário que nunca.

Em resumo: As pessoas merecem ser escutadas e vistas com qualidade, por isso as empresas têm de continuar a investir em tecnologia.