Recursos Humanos

Realidade virtual pode tornar-se convencional na formação corporativa

O ser humano aprende melhor a fazer e quando obtém feedback pelos seus erros e, por isso, em áreas em que o erro representa um risco elevado, a realidade virtual é usada há várias décadas na formação, nomeadamente de militares, cirurgiões e astronautas. Mas com os custos de implementação desta tecnologia a baixarem, o mais provável é que esta tecnologia se torne convencional também na formação corporativa. Quem o diz é Jeremy Bailenson, docente da Universidade de Stanford e diretor do Virtual Human Interaction Lab., que num artigo publicado na Harvard Business Review revela que a tecnologia está a chegar às empresas do ranking Fortune 500 para formar pessoas em áreas como o retalho, a logística e o atendimento ao cliente.

De acordo com o especialista, a realidade virtual pode ser um bom aliado não só na aprendizagem de procedimentos ‘físicos’, mas também no desenvolvimento de competências pessoais, com vários estudos científicos a indicarem que a formação através de realidade virtual é tão eficaz quanto a formação cara a cara, mas com o benefício de ter menos custos e implicar menos tempo despendido em formação face à formação convencional.

O gigante de retalho Walmart é um desses exemplos e já formou mais de um milhão de pessoas com recurso a realidade virtual e com uma tecnologia que apelida de The Pickup Tower e que permite aos clientes levantar as suas compras online e, ao mesmo tempo, dá feedback aos funcionários em formação, explicando-lhes como podem operar este quiosque e que erros cometem. Segundo a Walmart, antes desta tecnologia cada pessoa passada um dia inteiro em formação. Com a realidade virtual, a formação passou para 15 minutos, sem diminuição da eficácia.

Aprender competências sociais

A realidade virtual está também a ser usada na formação das chamadas soft skills. Há empresas que já a usam para ensinar a falar em público e uma vez que alugar uma sala e enche-la de pessoas pode ser caro, a realidade virtual permite ‘montar’ esse cenário com menores custos e maior facilidade. E de acordo com vários estudos, é envolvente o suficiente para que os formandos sintam que a situação é real e segura o suficiente para que se sintam menos constrangidos do que se sentiriam se estivessem a falar para pessoas reais.

A empresa de telecomunicações Verizon já está a fazer uso disso e construiu e implementou um módulo de formação em que os funcionários de call center conversam com um cliente chateado (virtual). Os formandos podem, assim, praticar a escuta ativa e a eficácia é tão grande que, segundo a empresa, o tempo de formação reduziu de 10 horas por pessoa para apenas 30 minutos.

E se a tecnologia já estava a acelerar antes da covid-19 chegar, o mais certo é que depois da pandemia mais empresas comecem a adotar este tipo de ferramentas. A necessidade de formação nunca irá desaparecer e a tecnologia pode ser um bom aliado.

Artigo publicado em parceria com o blog RH Bizz.